AMO-LHE TÃO
PROFUNDA
MENTE QUE NEM
MIM NEM
TU NEM A
G R A M Á T H I CA
ENTENDEM OS.
Ao meu bel-prazer.
Os anos de Criar foram uns dos melhores da minha vida. Lembro-me com um saudosismo sentimentalista das cores vibrantes desse arco-íris, que por tanto tempo tingiram a minha história, e moldaram o meu caráter e a minha poesia.
A escola era a extensão do meu quintal. Os professores, meus tios e tias mais queridos e presentes. Sangues do meu sangue. Que me fizeram compreender que às vezes uma banalidade pode ser o motivo de uma lágrima ou de um sorriso; que um abraço num momento esquisito pode significar além do imaginado e pretendido.
Lá, me fizeram acreditar na canção que dizia que é preciso amar, embora isso soe clichê. Me fizeram entender que o clichê, muitas vezes, é a diferença entre o que importa e o que não faz o menor sentido. Aprendi a correr quando não há escapatória, a resolver problemas com a desenvoltura descompromissada de uma criança.
Muito mais do que formular pré-fabricadas, foi no Criar onde aprendi a enxergar que a vida vai além de um soneto decassílabo de rimas intercaladas; que, na verdade, a vida é apenas um punhado de lembranças coloridas que nos fazem chorar num domingo chuvoso recheado de memórias, como este.
*Menino azul-pelado é referente à antiga logo do Criar.
Há certas regras imprescindíveis para a felicidade das sociedades around the world que Deus nem pensou em criar e que, portanto, o homem deveria faze-lo. E se o homem nem Deus quisessem, que eu fizesse uma ditadura divina e as implantasse. Lógico, pelo bem da humanidade, já que essa não sabe(ria) decidir por si só.
A primeira delas seria o comunismo. Não o comunismo político/econômico/social, como muitos já pensaram e tentaram fazer; mas um comunismo totalmente revolucionário e inédito (ou não): o da beleza feminina. Todas as mulheres deveriam seguir um padrão de beleza; não haveria nem uma lindíssima e nem uma feíssima, e a normalidade seria determinada pela primeira mulher existente. Então, nada mais óbvio do que sermos todas horrorosas, se lembrarmos que a primeira não era algo muito diferente de um macaco. Mas, como seria padrão, os homens se acostumariam e nós também, além de sermos todas taxadas de bonitas, uma vez que os nossos olhos se acostumassem e fossem vencidos pelo cansaço e pelo conformismo. A diferenciação, nesse caso, seria totalmente ligada à personalidade; quem gostasse mais de cabelos curtos, usaria, quem preferisse roupas pretas, quem raspasse mais os pêlos pelo corpo, quem furasse a orelha, quem fizesse uma tatuagem ou piercing, etc etc etc.
A segunda seria a inviabilidade de acordar cedo em dias chuvosos e cinzas. Não aqueles sol-e-chuva-casamento-de-viúva, mas aqueles outros (como esse) que fazem seu cérebro traduzir, através da luz que entra pelas frestas da janela, que são 5h da manhã, embora já sejam 9h. E, para que isso acontecesse, em cada cidade deveria haver uma central clima/tempo superluperhiperliper avançada tecnologicamente, que preveria com cinco dias de antecedência tais dias. Assim, os comércios, as escolas, enfim, tudo, poderia se programar como se programa um feriado; horário de levantar: meio dia.
Outras, embora não menos importantes, seriam pequenas leis contra a lei de Murphy, e é aí que entra uma antiga propaganda (genial, por sinal) de alguma operadora telefônica: Biscoitos e pães não cairiam com a parte da manteiga virada pra baixo, estrias só dariam nas paredes, os carros diminuiriam de acordo com o tamanho das vagas que ainda sobrassem nas ruas; existiria uma bebida que deixaria todo mundo muito louco, e com gostinho de Coca-Cola (e SÓ de Coca-Cola, sem aquele fundinho de álcool) variando nos sabores lemon, light, zero e normal; a dona do Sex Shop mais perto não conheceria sua mãe, tampouco as vendedoras. Também não conheceriam a sua mãe o carinha da farmácia onde você costuma comprar a camisinha mais barata, nem o professor que te reprovou no semestre passado. Toda casa deveria ter um quartinho dos fundos em que não desse pra ver, pelo lado de fora, o que estava acontecendo lá dentro, mas que lá dentro pudessem ver o que se passava pelo lado de fora. As roupas não rasgariam ou manchariam; vestibular seria, somente, um nome vulgar para um chapéu seletor, que te mandaria instantaneamente para o curso e a faculdade em que você melhor se desenvolveria.
Os críticos talvez reclamassem em uníssono; multidões insurgiriam, iradas, promovendo passeatas e distribuindo panfletos impiedosamente, contra a minha tão perfeita ditadura. E, a mim, já maltrapilha, restaria apenas um consolo; la unanimidad eres burra!
Não tenho exatamente a certeza de que parece o contrário, mas eu me esforço bastante pra entender um bocado de política – mesmo que no final das contas eu acabe não entendendo nada. Embora não tenha votado nunca, e também não tenha sentido a necessidade de pesquisar sobre a vida de nenhum candidato e nem o que ele fez nalgum outro mandato, tenham sido coisas boas ou ruins, eu me sinto no direito de criticar e discutir com os amigos sobre qualquer tema que surja. É bom ressaltar que acabo sempre perdendo a discussão, caso haja alguma. Ora, ninguém é perfeito.
Óbvio que tenho algumas convicções que, inclusive, outros poderiam explicar melhor. Desgosto menos das coisas do que gosto; agrido mais do que defendo. E, no geral, isso serve como filosofia de vida. Uma coisa meio Diogo Mainardi; reclamar mesmo que não tenha motivo. E algumas vezes até tem, aí ganho alguma credibilidade. Ou não, vai saber.
O fato é que esse ano chegou a minha vez: sou obrigada a votar. O-B-R-I-G-A-D-A. E eu detesto fazer as coisas por obrigação. Faço de má vontade, na maioria das vezes. E acredito que a maior parte da população faça exatamente a mesma coisa, ou porque não vê sentido nisso – votar – ou simplesmente porque acha que, como já ta tudo cagado mesmo, não vai fazer diferença votar em qualquer político que pague pra isso. E político que paga é o que mais tem por aí.
Mas o que mais me irrita, além de tudo, é ser obrigada a escutar aquelas musiquinhas, que desfilam pelas ruas da cidade em carros que andam em velocidade de vovô: vinte quilômetros por hora. São sempre músicas que grudam na cabeça de uma forma tal, que nos fazem sonhar com o diabo da coisa. Que entram em ondas sonoras malcriadas pelas nossas janelas e portas, invadindo nossas casas e nossas cabeças pelo resto do dia. E se estendem durante todos os dias da semana, dos meses, até que finalmente, param. Embora só parem declaradamente ao público, porque durante muito tempo aquilo ainda ecoa na sua cabeça, numa freqüência menor, e cada vez mais baixo.
Pelo menos elas servem pra me auxiliar na hora de votar e, mesmo agora, já sei o critério que eu vou usar pra escolher alguém: aquele que menos me encher o saco, leva.
1- Colocar o aviso de conteúdo adulto no começo.
2- Ser professor.
3- Falar de sexo e coisas da vida pessoal, relativas a sexo.
4- Entrar em comunidades e participar de fóruns Divulgue Aqui.
5- Ter mais imagens do que textos.
6- Errar no português.
7- Mandar todos os dias o link pra sua lista do orkut e do MSN.
8- Bajular o blogue do amigo com o intuito de ser adicionado aos favoritos dele.
9- Virar garota de programa.
10- Ser professor, gay.
Perceberam o empirismo? Nem eu.
Freqüento os blogues dos meus amigos assiduamente, e geralmente tenho muita coisa pra ler. Por que diabos ninguém escreve em julho? *
A camisa do Anima Mundi tava cara demais. Minhas impressões gerais do ano retrasado foram melhores, e isso também diz respeito aos curtas. O prédio do CCBB é o que faz valer mais a pena, desculpem. *
Minha mãe ta fazendo curso de braile. Quando perguntada sobre o motivo, emudeceu. *
Marioleiro é que é profissão; de um único carro fatura cinco conto, em três segundos. Estudo não leva ninguém a lugar nenhum. *